No Brasil, toda época de verão, especialmente final de dezembro e início de janeiro, apresenta um fluxo grande de pessoas se dirigindo para cidades litorâneas para a temporada. O problema é que essas cidades não dispõem da capacidade de infraestrutura necessário para esse aporte de pessoas. Assim, os serviços de fornecimento de água, esgoto e coleta de lixo ficam prejudicados. Com isso, um velho problema ressurge: as gastroenterites e doenças diarreicas, popularmente conhecidas como viroses. Somente nas primeiras duas semanas do ano de 2025, o Paraná registrou, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, 5.439 atendimentos por Doenças Diarreicas Agudas (DDA), um aumento de 306% em comparação com janeiro de 2024. Sendo assim, é interessante saber um pouco mais sobre essas doenças para não ser pego desprevenido:
Quem causa as viroses?
Elas são causadas por diversos vírus, mas os principais agentes são o rotavírus e norovírus
Como se transmite?
Todos os agentes são de transmissão fecal-oral, ou seja, eles são expelidos pelas fezes (ou pelos vômitos) e contaminam o ambiente (principalmente a água). A partir disso, eles passam para os indivíduos através do contato com esse ambiente contaminado, mais usualmente através das mãos. Após contaminada, a mão é levada à boca e o vírus é ingerido, iniciando seu ciclo no novo hospedeiro.
Quais são os sintomas?
Independente do agente, os sintomas são semelhantes: vômitos, diarreia e risco de desidratação (principalmente em crianças e idosos). O principal, como o próprio nome já diz, é a diarreia. Ela está presente em 90% dos casos e pode durar de 3 a 14 dias, com uma média de 6 evacuações líquidas por dia. Além disso, vômitos estão presentes em 56% dos casos, com uma duração média de 4 dias e média de 3 episódios diários. Febre acima de 38,3°C está presente em 42% dos casos. E, por fim, dor abdominal pode aparecer em 12% dos casos.
Como agir?
O primeiro ponto e identificar sinais de desidratação, principalmente em crianças pequenas e idosos, que são a população de maior risco. Entre os principais sinais estão alteração do estado geral (irritabilidade ou, na evolução, letargia), olhos fundos, sede intensa, lágrimas ausentes, boca seca e perda de peso.
Caso esses sintomas não estejam presentes, classificamos o paciente como sem desidratação. Nesses casos, podemos tentar manejar a situação em casa, com a ingestão oral de líquidos caseiros (água, chás, sucos, água de coco) ou soluções prontas de reidratação disponíveis em farmácias em volumes acima das perdas. Uma maneira prática é ingerir pelo menos um copo do líquido escolhido após cada evacuação ou vômito.
Caso algum desses sintomas estiver presente ou eles piorarem ao longo dos dias, o paciente já é classificado como desidratado e é necessário atendimento médico para avaliação dos sinais de gravidade e início de hidratação venosa.
Como evitar?
O principal para se evitar a contaminação é higiene. E o principal da higiene é lavar as mãos com água e sabão sempre e, principalmente, após evacuações ou ao manusear fraldas e cuidar da higiene de crianças (após vômitos ou diarreia). Nesse caso, é necessário o uso de água e sabão, uma vez que o álcool tem pouco efeito sobre o norovírus.
Além disso, e aqui o principal problema das cidades litorâneas brasileiras no verão, tratamento de água adequado. Como a capacidade da rede de esgoto e abastecimento fica sobrecarregada, esses vírus se espalham muito facilmente. Assim, o ideal em surtos é o uso de água mineral para consumo e a fervura da água por cerca de 10 minutos para uso doméstico (cozinhar, banho e outras atividades).
Por fim, nunca se esquecer de vacinação das crianças. O rotavírus se tornou um agente mais raro de gastroenterites pois desde 2006 o calendário básico de vacinação brasileiro contempla 2 doses de vacina contra o rotavírus para crianças aos 2 e 4 meses de idade.